Saudades de casa são um sentimento profundo e muitas vezes doloroso de falta e desejo por tudo aquilo que associamos ao nosso lar, ao lugar onde crescemos, onde estão as nossas raízes. É uma mistura de nostalgia, amor e tristeza, que se sente quando estamos longe do lugar ou das pessoas que nos dão um sentido de pertença e conforto.
Há três anos que deixei Portugal para trás, que troquei o azul do nosso céu pelo branco das montanhas suíças. O tempo passa, é verdade, mas a saudade não passa, só muda. É uma espécie de dor que nunca desaparece por completo; é o peso de carregar um pedaço do passado no peito, todos os dias.
No início, a saudade era esmagadora. Chegava a ser física, um nó na garganta que se apertava cada vez que me lembrava de casa. Sentia falta de tudo: do cheiro do café acabado de fazer, das conversas na rua com os vizinhos, das festas populares que animavam o verão, dos sorrisos conhecidos e das palavras ditas sem pensar, na nossa língua que aqui soa tão diferente, quase como se fosse de outra vida. Mas, mais do que isso, sentia falta das pessoas. Da minha família, dos amigos que ficaram para trás. É estranho como só percebemos o quanto algo significa quando já não o temos.
Por muito tempo, a saudade foi uma barreira. Uma muralha invisível que se ergueu entre mim e este novo país. Estava aqui, mas a minha cabeça, o meu coração, estavam lá. Vivi quase em piloto automático, a cumprir rotinas, a adaptar-me ao trabalho, mas sempre com um pé no passado. Havia dias em que a vontade de voltar era tão grande que chegava a pensar em desistir, em fazer as malas e apanhar o primeiro voo de volta para casa.
Se ainda estás nessa fase de questionamento, este artigo sobre se vale a pena emigrar para a Suíça pode ajudar-te a clarificar o que sentes.

Mas sabia que não podia, que não era apenas por mim que estava aqui. Era pelo futuro, pelo que queria construir. E foi isso que, aos poucos, me fez começar a aceitar a saudade. Entendi que ela não ia embora, que ia ter de aprender a viver com ela, a usá-la como força e não como fraqueza.
Comecei a criar novas rotinas, a tentar enraizar-me aqui, mesmo com as raízes do coração fincadas em Portugal. Encontrei uma pequena comunidade portuguesa, fiz amigos que partilham das mesmas saudades de casa, e isso ajudou. Celebramos juntos as datas importantes, cozinhamos os pratos da nossa terra, e por um momento, ao som de um fado ou ao sentir o cheiro de uma sopa da pedra, a Suíça parece um pouco mais próxima de casa.
Também aprendi a encontrar beleza no que a Suíça tem para oferecer. O silêncio das montanhas, a ordem das cidades, a segurança nas ruas, coisas que antes me pareciam estranhas, mas que agora começo a apreciar. Aos poucos, a vida aqui foi ganhando sentido, mesmo que a saudade nunca tenha desaparecido.
Hoje, passados três anos, a saudade ainda me acompanha, mas já não me impede de viver. Aceitei que ela faz parte de quem sou, que ser emigrante é viver entre dois mundos, e que essa dualidade, por mais dolorosa que seja, também me enriquece. Continuo a sonhar com o dia em que vou voltar, mas até lá, faço de cada dia uma tentativa de encontrar um equilíbrio, de ser feliz aqui, sem esquecer quem sou e de onde venho.
Talvez, um dia, quando finalmente voltar, a saudade seja do que deixei aqui. Porque, afinal, a saudade é a prova de que amamos, e amar nunca é um erro, seja qual for a distância que nos separe.
História partilhada por João Silva, emigrante português na Suíça. Editada e publicada pela equipa do Emigrante Legal.
O que ajuda a gerir as saudades — a perspectiva do Emigrante Legal
“Ao longo de anos a apoiar emigrantes portugueses na Suíça, ouvimos esta história muitas vezes. Estas são as estratégias que mais vezes fazem diferença.”
🇵🇹 Encontra a tua comunidade portuguesa local
A Suíça tem associações portuguesas organizadas em praticamente todos os cantões — Berna, Genebra, Zurique, Lausanne. São o lugar onde falas a tua língua sem pensar, onde celebras o Dia de Portugal, onde ouves fado num contexto que faz sentido. A Casa de Portugal em Berna e as associações locais acabam muitas vezes por ser o primeiro ponto de contacto emocional com “casa”.
✈️ Usa a proximidade a Portugal como vantagem real
Emigrar para a Suíça não é o mesmo que emigrar para o Canadá ou Austrália. Genebra fica a cerca de 2h30 de Lisboa de avião. Essa proximidade dentro do espaço Schengen significa que um fim de semana em Portugal pode ser possível sem consumir uma semana inteira de férias. Planear essas idas com antecedência — Natal, Páscoa, Agosto — cria um horizonte concreto e ajuda emocionalmente nos períodos mais difíceis.
⛰️ Cria rituais suíços que sejam teus
O que mais ajuda não é substituir Portugal pela Suíça. É começares a construir memórias na Suíça que também te pertencem. Um café ao domingo, um percurso de montanha no Verão, os mercados de Natal no Inverno, um lago onde gostas de caminhar. A saudade normalmente não desaparece. Mas deixa de ser o único sentimento que tens em relação ao lugar onde vives.
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